sábado, 13 de outubro de 2012

Ano da Fé


Queridas irmã e irmãos,
No dia 11 de outubro de 2012, tivemos a abertura do Ano da Fé. O Papa Bento XVI, na Carta Apostólica “Porta Fidei”, nos exorta a dedicarmos um ano de reflexão sobre nossa fé e sua propagação. Esta será uma oportunidade para “intensificar a reflexão sobre nossa fé”. E continua afirmando que “teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias”. E conclui dizendo que “tanto as comunidades religiosas com as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo”.
O Papa inicia dizendo que “desde o princípio de meu ministério (...) lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar (...) a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo”. A fé é ponto central e motivador de uma vivência cristã dentro da Igreja. Sem fé tudo perde sentido, até a participação nos sacramentos, em especial a Eucaristia. É pela fé que podemos ver Jesus no pão transformado no seu corpo. É pela fé que vemos a Igreja como o corpo do senhor, cuja cabeça é o próprio Cristo.
Em seguida, o Papa afirma que muitas vezes os cristãos colocam sua preocupação mais nas consequências do que na própria fé; diz: “Sucede (...) que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé”. Preocupa-nos o que fazer, e deixamos de lado o cultivo da própria fé. Não dar a fé a devida atenção espiritual, torna as atividades diárias esvaziadas de sentido.
A fé vem pela Palavra, conforme nos diz o apóstolo: “A fé entra pelo ouvido, ouvindo a mensagem do Messias” (Rm 10,17). Jesus afirma que “feliz são os que escutam a palavra de Deus e a cumprem” (Lc 11,28). A palavra de Deus meditada e orada leva à fé. Não existe fé sem a escuta da Palavra. A primeira comunidade dos fiéis teve esta atitude após as palavras de Pedro: “O que ouviram lhes tocou o coração, e disserem a Pedro e aos outros apóstolos: - O que devemos fazer irmão?” (At. 2, 37).
Bento XVI nos convoca a uma “redescoberta da fé”. E para isso, nos chama a uma redescoberta da Profissão de Fé do Povo de Deus e a uma leitura mais atenta dos documentos do Concílio Vaticano II. Nos diz que é “necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja”.
O Papa afirma que “os cristãos são chamados a fazer brilhar (...) a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou”. E acrescenta que a “Igreja prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que ele venha”.
O “Ano da Fé é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor”, nos alerta Bento XVI. E continua “a fé, que atua pelo amor, torna-se um novo critério de entendimento e de ação, que muda toda a vida do homem”.
O amor que brota da fé nos leva a evangelizar. Afirma o Papa que “é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar”. Por isso, “é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé”.
Neste ano devemos fazer com que o Credo seja nossa oração diária. “Nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender o Credo de memória (...). É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumi, do com o Batismo”.
Santo Agostinho afirma: “O Símbolo do santo mistério (...) reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja (...) E vós recebestes e proferistes, mas deveis tê-lo sempre presente na mente e no coração, deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue de vigílias por ele”.
O primeiro lugar onde se dá a fé é o coração. Afirma Paulo: “Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé” (Rm 10,10).
Ainda o apóstolo Paulo nos deixa o exemplo de que “o conhecimento dos conteúdos que se deve acreditar não é suficiente, se depois o coração - autêntico sacrário da pessoa – não for aberto pela graça, que consente ter olhos para ver em profundidade e compreender que o que foi anunciado é a Palavra de Deus”. (At. 16,14). O exemplo de Lídia nos é significativo para nossa meditação. Esta mulher, comerciante, de alta posição na sociedade, deixa que seu coração seja aberto pelo Senhor para ouvir a palavra de Paulo. Deve ser nossa disposição. Diz o texto: “O Senhor lhe abriu o coração para que prestasse atenção ao discurso de Paulo”.
Com o coração que adere à fé pela Palavra, a boca proclama este mistério. Diz o Papa: “o professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos”. E continua, “a profissão da fé é um ato simultaneamente pessoal e comunitário”.
Existem alguns exemplos de expressão da fé que encontramos na bíblia. Foi “pela fé que Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus”. Foi “pela fé que os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre”. Foi “pela fé que os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos”. Foi “pela fé que os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho”. Foi “pela fé que homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo”. Foi “pela fé que no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades (...) confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão”. É pela “fé que vivemos reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história”.
Este é um ano para a vivência da caridade. “Agora permanecem três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade (I Cor. 13,13)”. Bento XVI, refletindo sobre essa frase, diz: “A fé sem a caridade não dá frutos, e a caridade sem a fé seria um sentimento à mercê da dúvida”.
“A fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. O que “o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração de a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim”.
Para terminarmos, o Papa nos fala de darmos razões de nossa fé. Darmos o “assentimento”. E este só será possível se utilizarmos o Catecismo da Igreja Católica para aprofundarmos aquilo que nos vem pela pregação. O Catecismo Católico é o lugar privilegiado para o “desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária”.
Vivamos esse momento rico. Aprofundemos nossa fé. Primeiro, ouvindo e meditando a palavra de Deus. Segundo, tendo nosso Credo como oração principal de nossa vida. Terceiro, fazendo do Catecismo da Igreja Católica nossa fonte de estudo da fé.
Coloquemo-nos nas mãos da Mãe de Deus, “proclamada feliz porque acreditou (Lc 1,45)”.

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