quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Cristo ressuscitado é a esperança de todos os que crêem"


(Das Cartas de S. Bráulio, bispo de Saragoça -Epist. 19: PL 80,665-666 (Sec.VII)

Cristo, esperança de todos os crentes, chama adormecidos e não mortos àqueles que partem deste mundo; Ele disse, de facto: Lázaro, o nosso amigo dorme.
Também o apóstolo S. Paulo quer que não nos contristemos pela sorte dos que já adormeceram, pois a fé nos ensina que todos os que acreditam em Cristo, segundo a palavra do Evangelho, não morrerão para sempre; sabemos na verdade, pela fé, que nem Ele morreu para sempre nem nós morreremos para sempre.
Com efeito, o próprio Senhor, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta de Deus, baixará do Céu, e os que n'Ele tiverem morrido n'Ele ressuscitarão.
Anime-nos, portanto, a esperança da ressureição: os que perdemos neste mundo haveremos de os tornar a ver no outro; basta para isso acreditar no Senhor com verdadeira fé, isto é, obedecendo aos seus mandamentos; Ele é omnipotente, e, por isso, é mais fácil Ele despertar os mortos do que nós acordar os que dormem. É certo que temos esta convicção; mas, por outro lado, subjugados por inexprimivel sentimento, deixamo-nos desafogar em lágrimas e a saudade perturba a fé do nosso espírito. Oh como é miserável a condição humana! Sem Cristo, nenhum sentido teria toda a nossa vida.
Oh morte, que divides os que viviam juntos e tão dura e cruelmente separas os que estavam unidos pela amizade! Mas o teu cruel poder está esmagado. O teu domínio foi aniquilado por Aquele que te ameaçou com o brado de Oseias: Ó morte, Eu serei a tua morte. Também nós podemos desafiar-te com as palavras do apóstolo: Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O mesmo Jesus que te venceu a ti nos redimiu a nós, entregando a sua amada vida às mãos dos ímpios para dos ímpios fazer amigos seus. São certamente numerosos e variados os ensinamentos da divina Escritura que nos podem consolar a todos. Mas basta-nos agora confirmar a nossa esperança na ressureição e voltar os olhos para a glória do nosso Redentor, no qual, pela fé, nos consideramos já ressuscitados, conforme diz o Apóstolo: Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos.

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