domingo, 5 de abril de 2015

Cristo Ressuscitou

Queridas irmãs e irmãos,
Cristo ressuscitou, vive no nosso meio. Aleluia!
Começamos o período Pascal. Até a festa de Pentecostes, estaremos celebrando a Páscoa.
Quero partilhar com vocês algo interessante. Qual é o cheiro da ressurreição? Você já fez o exercício de tentar sentir esse odor?
Vejam, em Betânia, na casa de um leproso, de nome Simão, Jesus foi ungido por uma mulher (não identificada, em Mateus e Marcos). Somente João diz que essa mulher era Maria.
João diz que o cheiro do perfume tomou conta de toda a casa. Detalhe não encontrado nos outros dois evangelistas.
Mas num ponto, todos concordam, eram alguns dias antes da Páscoa. Isso é fundamental, pois a unção pré morte fora feita ainda com Jesus em vida.
Jesus é perfumado. Seu corpo é preparado não para a sepultura; mas para a vida, vida que será retomada após a Ressurreição.
Após ser descido da cruz, Nicodemos traz trina quilos de perfume para ungir o corpo do Senhor, antes do coloca-lo no sepulcro.
Na madrugada após o Sábado, mulheres vão ao túmulo com vasos de perfume para ungir o corpo do Senhor.
Irmãs e irmãos, vejam, a Ressurreição tem um odor, um cheiro. E não é cheiro de morte. É cheiro de vida. E de vida eterna. Só os cadáveres apodrecem e cheiram mal. Jesus não era um cadáver. Ele veio para que todos tivessem vida, e vida em abundância. Somente quem tem vida pode dar vida. Por isso, a morte não podia vencer Jesus, pois ele é o autor da vida. Ele é gerador de vida. Ele dá a vida para que todas as outras vidas sejam resgatadas.
Mas essa vida tem um cheiro. Cheiro de perfume. Cheiro bom. Agradável, pois Jesus é agradável. É bom.
Hoje somos chamados e exalar esse cheiro. A comunhão eucarística nos permite trazermos esse cheiro para nós. O sacramento do Batismo nos insere nesses vasos onde etão colocados os perfumes. Somos banhados com o perfume de Jesus para exalarmos o seu odor nos ambientes em que vivemos. O Sacramentos da Penitência restabelece o odor divino que nos foi dado com o sopro da vida. Os sacramentos da Ordem e do Matrimônio servem para a conservação desse odor no serviço ao próximo. O Sacramento da Crisma nos banha com o cheiro do Espírito Santo (Deus com o Pai e o Filho). E na Unção dos Enfermos, nosso corpo é preparado para a restauração da vida física e espiritual. Neste sacramento, participamos dos sofrimentos do Senhor, e nos preparamos para a ressurreição junto com ele.
Irmãs e irmãos, deixemos que o cheiro da ressurreição tome conta de nossas vidas. Exalemos esse bom odor. Sejamos mensageiros da ressurreição de Jesus. Sejamos perfume onde estivermos. Que as pessoas possam sentir o cheiro do Senhor Ressuscitado através de nossa vida. Somos vasos de perfume. Carregamos em nós o cheiro da Ressurreição.
Feliz Páscoa.
Cristo Ressuscitou! Vive no nosso meio! Aleluia!

domingo, 1 de março de 2015

"Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz"!

Liturgia de hoje: Marcos 9,2-10: 

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus.  Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram essa ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.

Comentário:

A liturgia de hoje nos apresenta o episódio da Transfiguração de Jesus.
Três pontos: "Pedro tomou a palavra e disse a Jesus"; "Pedro não sabia o que dizer"; "E da nuvem saiu uma voz".
Diante da transfiguração, de um evento místico, Pedro toma a palavra e quer falar qualquer coisa. Quantas vezes agimos assim. Estamos diante de Jesus Sacramentado, e sem saber o que dizer, vamos multiplicando as palavras. Falando. Falando. Falando. Não sabemos o que dizer. Colocamos nossas ansiedades. Nossas expectativas. Nossos desejos. Ou aquilo que achamos que os outros necessitam ouvir.
Pedro não sabia o que dizer, pois estava com "muito" medo. Somos nós. Não sabemos o que dizer, pois estamos medrosos diante do mundo espiritual que nos cerca. 
A Palavra de Deus é verdade, é vida. Deus quando fala, sabe o que fala. 
No início do evangelho de Marcos, quando ele nos fala do batismo de Jesus, temos a seguinte palavra divina: "Tu é o meu filho amado, em ti está o meu agrado".
A liturgia de hoje nos é muito simples, saber ouvir a palavra do Filho amado pelo Pai.
Ouvir é colocar em prática. Ouvir e fazer-se outro Cristo. Ouvir é transfigurar-se.
Irmãos e irmãs, aprendamos a estar a serviço. Deus nos acompanhe nesta caminhada quaresmal.
Oremos: "Ó Deus, que nos mandastes ouvir vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A difícil arte de Perdoar

Irmãos e irmãs,
A liturgia de hoje nos convida a meditarmos como devemos orar.  Jesus nos ensina que não é multiplicando palavras que Deus nos ouve. Mas sendo diretos e objetivos. Até o silêncio é uma forma de oração. Quantas vezes presenciamos grupos diante do Santíssimo multiplicando palavras. O silêncio, diante de Jesus Sacramentado incomoda.  Pois é no silêncio que nos conhecemos de verdade.
Jesus nos ensina a orar. Mas após dizer como devemos orar, ele resume a oração do Pai Nosso ao perdão ao próximo. Essa é a verdadeira essência do Pai Nosso,  o Perdão. Se não somos capazes de perdoar aqueles que nos ofendem, como podemos estar junto de Deus? Como podemos nos apresentar sendo sua imagem e semelhança? Como podemos dizer que somos filhos e filhas de Deus?
Saber perdoar, essa é a lição de hoje no nosso processo de conversão quaresmal. Na cruz Jesus pediu que seus algozes fossem perdoados, pois não sabiam o que estavam fazendo. Em seu martírio, Estêvão pediu a Deus que este pecado (apedrejamento) não fosse  levado em conta.
Aprendamos a perdoar sempre.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Esmola, Jejum e Oração

Ao iniciarmos a primeira semana da Quaresma, a liturgia eclesial nos propõem a meditação do Juízo Final, narrada em Mateus 25,31-46.
O período quaresmal iniciou-se na Quarta-feira de Cinza. E fomos convocados a viver a Caridade, o Jejum e a Oração.
Hoje, somos brindados com as palavras de Jesus sobre o que é fazer caridade. Ele diz que uns serão levados ao Reino e outros deixados. Uma clara referência de que os filhos das traves ficarão na danação eterna.
E para entrar no Reino não há muita dificuldade, apesar de a porta ser estreita.
"Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me deram de beber. Era estrangeiro e me receberam em sua casa. Estava sem roupa e me vestiram. Estive doente e cuidaram de mim. Estava preso e foram me visitar".
Simples. Não precisa de muita explicação. Todos e todas que viverem isso. Todos e todas e que fizerem isso a um dos pequeninos que forem dos irmãos e irmãs, é a Jesus que se esta fazendo. Nossa fé é comunitária e não individualista e intimista. Nossa oração nos impulsiona ao encontro do próximo(a). Se jejuamos, jejuamos para o serviço missionária. Jejum sem ação é morto. Não tem vida. Não nos aproxima de Deus.
Irmãs e irmãos, nesta primeira semana da quaresma, como anda a sua ação missionária?
Reflita.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos. (6,45-52)

Depois de saciar os cinco mil homens, Jesus obrigou os discípulos a entrarem na barca e irem na frente para Betsaida, na outra margem, enquanto ele despedia a multidão. Logo depois de se despedir deles, subiu ao monte para rezar. Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. Ele viu os discípulos cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, pelas três da madrugada, Jesus foi até eles andando sobre as águas, e queria passar na frente deles. Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo!” Então subiu com eles na barca, e o vento cessou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, porque não tinham compreendido nada a respeito dos pães. O coração deles estava endurecido.

Reflexão

Três episódios. Primeiro, Marcos revela que Jesus acabara de saciar cinco mil homens. É a passagem da multiplicação dos pães. Jesus revelou-se como alimento. Aquele que fortifica a fé, a alma, e o espírito.
Em seguida, Jesus determina que seus discípulos partam para a outra margem, indo para Betsaida (Casa da Pesca).
O terceiro, Jesus parte para orar. Sobe o monte. Vai ao encontro do Pai. Era preciso ouvir as instruções. Agradecer pelo milagre da multiplicação dos pães. E preparar-se para acalmar a tempestade.
Jesus vai ao encontro dos discípulos que estão na barca. Esta significa as situações de nossa vida. Vivemos várias situações no dia-a-dia. Tempestades. Ventos. Ondas gigantes. E Jesus vem ao nosso encontro de uma maneira inusitada. Ele passa pelos nossos problemas para nos ajudar a resolvê-los.
Quando Ele vem ao nosso encontro nos assustamos. Mas ele diz “coragem”, “sou eu”. Ele sobe na barca, e tudo é resolvido. Os problemas são resolvidos.
Entretanto, o coração endurecido dos discípulos não nos deixa ver o que acontece de miraculoso em nossas vidas.
É hora de mudar. Deixe Jesus mudar sua vida. Mude sua vida com Jesus.

Deus abençoe 2015.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. 1,1-17

Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos. Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar. Farés gerou Esrom; Esrom gerou Aram; Aram gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; Salmon gerou Booz, cuja mãe era Raab. Booz gerou Obed, cuja mãe era Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi.
Davi gerou Salomão, daquela que tinha sido mulher de Urias. Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias; Ozias gerou Jotão; Jotão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias. Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia.
Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azor; Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. Assim, as gerações desde Abraão até Davi são catorze; de Davi até o exílio na Babilônia catorze; e do exílio na Babilônia até Cristo, catorze.
Reflexão.
A grande pergunta da humanidade é “De onde viemos?” Todos nós temos uma descendência. Uma origem. Uma família.
Não poderia ser diferente com Jesus. Ele tem uma linhagem. Uma história. Uma origem.
Jesus está ligado à tradição do povo hebreu. Ele descende do patriarca Abraão. É da casa de Davi. Tem as marcas do sofrimento do exílio babilônico.
Mateus insere Jesus na linha sucessória dos judeus. Ele é o Cristo. O messias. Aquele que haveria de vir libertar o povo. Tanto da opressão espiritual, quanto da opressão física.
Jesus traz em si toda a carga representativa da caminhada do povo de Deus. Jesus tem a fé de Abraão. Tem a realeza de Davi. E a força para libertar do exílio.
Assim somos nós. Trazemos a descendência religiosa de Jesus. Somos seus irmãos. Filhos do mesmo Pai. Convivemos na mesma Igreja, “una, santa, católica e apostólica”. Professamos um só batismo para a remissão dos pecados. E esperamos a vida eterna. Estar na igreja é ter a certeza de que estamos inseridos na vida do povo de Deus. Que se iniciou em Abraão, chegou até Jesus, e continua hoje.

Creiamos que assim foi da vontade de Deus. Continuemos nossa caminhada rumo ao Reino dos Céus. Lá há uma morada para cada um de nós.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. 11,28-30

Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.


Reflexão
Queridas amigas e amigos, texto (perícope) pequeno, mas de uma profundidade tremenda.
Jesus nos chama. Nos chama para o descanso. Para o repouso. Não para a preguiça. Mas para viver um religião, uma fé sem peso, sem muitas obrigações que nos afastam de Deus.
Os fardos, segundo a tradição, eram pequenas fitas com a Palavra de Deus que as pessoas usavam sobre as roupas. Eram tantas, que pesava. E o jugo, eram as imposições da lei, que muitas vezes mais castigavam do que libertavam as pessoas. 
Jesus nos chama para nos libertarmos disso. O que mais importante, as leis religiosas, ou praticar o amor? Viver a justiça, ou ser cumpridor fiel da Lei? 
O jugo e o fardo de Jesus são leves e suaves. Basta dar de comer a quem tem fome, visitar doentes e encarcerados, vestir os nus, dar de beber a quem tem cede, acolher os peregrinos. Vivendo isso, estaremos mais próximos de Deus. Viveremos a verdadeira religião. Praticar os sacramentos é necessário. Mas eles devem nos levar a caridade. Participar da Santa Missa é necessário, mas devem nos levar a prática do amor ao próximo. De nada vale viver a legalidade da religião se ela não nos impulso ao amor.
Lembre-se disso. A lei mata. O espírito liberta.