quarta-feira, 8 de junho de 2016

Mataram o meu menino.

Mataram o meu menino.
Matar crianças é mais velho do que andar para trás. Estive pensando o que dizer sobre o episódio do policial que matou um menino de 10 anos com um tiro na cabeça. No jargão policial, isso se chama “queima de arquivo”, ou então, “execução sumária”.
A cabeça, logo depois de coração, é o órgão responsável por comandar todo o corpo. É a sede da razão. Lugar onde se concebe todas as ações humanas. Alguns santos falam em “sede da vontade”. A vontade precede toda ação humana. Antes de agir, o ser humano concebe sua ação no cérebro, que está na cabeça (desculpem-me).
Mataram o meu menino. Quando o Estado executa uma criança, e o policial representa o Estado de Direito Democrático, ele nos fala o seguinte: “existem crianças que não deveriam existir”.  Entretanto, Jesus nos falou bem claro, “deixem as crianças virem a mim”. Essa criança não teve a oportunidade de ir até Jesus. O estado não permitiu. Aliás, foi o Estado quem matou Jesus também. Uma sociedade que vai eliminando Deus de seu meio torna-se uma sociedade morta. Uma sociedade que mata seus filhos e filhas. Sodoma e Gomorra foram exemplos disso.
“Deixem as crianças virem a mim”. O meu menino não pode, nem teve a oportunidade de ir até Jesus. O Estado não deixou. Ele foi morto. Com um tiro na cabeça. Ele foi impedido de mudar de vida. Mas uma certeza eu tenho, o “Reino de Deus pertence a eles (crianças)”.
“Eu garanto a vocês, quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele” (Mc. 10,15). Segundo o evangelista, o caminho para o Reino de Deus passa para ser criança. Mas ao invés de acharmos que Jesus falava de pureza, estamos equivocados. A criança, em seu tempo, ocupava um lugar de desprezo. Era a última para tudo. Até o 13 anos  ficava com as mulheres no lugar a parte na sinagoga; eram as últimas a fazerem a refeição; não tinham direitos. Por isso, a frase de Jesus impactou seus ouvintes.
Mataram o meu menino. Uma sociedade que mata pelo aborto, mata pela arma. Uma sociedade que aplaude o assassinato é uma sociedade doente. A vida deve ser preservada sempre. Por isso, sou contra a pena de morte. Os governos não tem direito de tirar a vida de ninguém, somente Deus ( é claro que isso é para os crentes). Nenhuma violência deve ser combatida com violência. “Guarde a espada na bainha. Pois todos que usam da espada, pela espada morrerão” (Mt. 26,52).
Mataram o meu menino. Sabe por quê? Porque mataram Deus em seus corações. Pregaram na cruz o próprio Deus, autor da vida. Tiraram de suas vidas Deus, pois queriam o seu lugar. A serpente disse aos primeiro pais que se infringissem  a regra de não comer do fruto da árvore do meio do jardim, eles se tornariam como deuses: “e vocês se tornarão como deuses, conhecedores do bem e do mal”.

Mataram o meu menino. Mas somos cristãos. Seguimos os valores e ensinamento de Jesus Cristo. Enquanto Igreja não posso admitir que matem nossas crianças. Pois meu mestre disse: “eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”. Aquele menino (meu menino) deu a vida para que pudéssemos refletir sobre a vida. Deus á autor da vida. Somente ele pode tirar a vida. Quem não sabe acolher e valorizar a vida, não deve servir ao Estado, nem a sociedade, quanto mais com uma arma na mão.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Diácono: Mensageiro da Palavra

Diácono: Mensageiro da Palavra
“Recebe o Evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres; ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”. Com essas palavras, o Bispo entrega ao Diácono o “Livro dos Evangelhos”, logo após ter sido revestido com os paramentos litúrgicos, no dia de sua ordenação.
Primeiro, o diácono é chamado a ser mensageiro do Evangelho de Cristo. Mais do que isso, ele é constituído, investido como mensageiro. Não é um mensageiro qualquer. É paramentado para isso. Passa ter a autoridade da Igreja, conferida pelo Bispo, para tornar-se esse mensageiro especial.
O mensageiro não fala aquilo que quer. Mas anuncia o que foi determinado. A Sagrada Escritura designou o Arcanjo Gabriel como o mensageiro de Deus. Na cultura grega, Hermes é o mensageiro dos deuses do Olimpo. E para simbolizar a agilidade da mensagem, ele é representado com um par de asas em cada pé. As asas simbolizam a agilidade do anuncio a ser comunicado. O diácono é mensageiro do evangelho, e como tal, não pode perder tempo em anunciar aquilo para o qual foi “constituído”.
Em seguida, é dito que ele deve transformar “em fé viva” aquilo que lê. O Evangelho de Jesus não é estático. “Ide pelo mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Não se recebe o evangelho e se guarda para si. Ele precisa ser anunciado. Anunciado com uma “fé viva”. Com alegria, como diz o Papa Francisco: “O Evangelho (...) convida insistentemente à alegria. (...) Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?” (EG, 5). E ainda, “se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de comunica-lo aos outros?” (EG, 8).
Em terceiro lugar, deve ensinar aquilo que crê. Ensinar significa colocar um sinal. E o sinal é uma marca. E esta marca tem que ser a do Evangelho. Não é um marca pessoal, mas a marca de Cristo. O Diácono foi marcado por Cristo, e agora deve marcar os outros, com a Palavra. Deve ensinar aquilo que crê. E no que crê o Diácono? Deve crer no Evangelho, do qual é mensageiro. Deve crer na Igreja, da qual é ministro ordenado. Crer é dar atestado de fidelidade, de legalidade. Crer é não ter dúvidas da pessoa a qual segue, Cristo. Ao crer, o Diácono deve ensinar.
E por último, deve “realizar o que ensinares”. Não basta ensinar. É preciso viver aquilo que ensina. Jesus assim fazia, ele ensina com autoridade (Mt.7,29). É viver o que se prega. Daí o diácono ser o ministro, também, da caridade.
Os bispos do Brasil ampliaram a definição de caridade para os Diáconos. No documento da CNBB, número 96, parágrafo 58, afirmam: “(...) o diácono assume a opção preferencial pelos pobres, marginalizados e excluídos. Ele é apóstolo da Caridade com os pobres, envolvido com a conquista de sua dignidade e de seus direitos econômicos, políticos e sociais. Está próximo da dor do mundo. Deixa-se tocar e sensibilizar pela miséria e pelas provações da vida”. Em seguida, ainda no mesmo parágrafo, citando o Documento de Aparecida, parágrafo 402, dizem que o diácono “reveste-se de especial compaixão pelos: migrantes, as vítimas da violência, os deslocados e refugiados, as vítimas do tráfico de pessoas e sequestros, os desaparecidos, os enfermos de HIV e de enfermidades endêmicas, os tóxicos-dependentes, idosos, meninos e meninas que são vítimas da prostituição, pornografia e violência ou do trabalho infantil, mulheres maltratadas, vítimas da exclusão e do tráfico para a exploração sexual, pessoas com capacidades diferentes, grandes grupos de desempregados/as, os excluídos pelo analfabetismo tecnológico, as pessoas que vivem na rua das grandes cidades, os indígenas e afro-americanos, agricultores sem terra e os trabalhadores das minas”.
Assim, a missão do diácono é muito ampla. Abrange vários espaços. Não fica restrita ao âmbito paroquial, pois é mensageiro constituído do Evangelho de Cristo. E se é mensageiro, deve partir em missão, sempre.

E confirmando essa designação missionária, os bispos do Brasil, no documento 74, afirmam que “o diácono (...) será discípulo e ouvinte. (...) fará a leitura meditada e orante da Sagrada Escritura”. E que “a familiaridade com a Palavra de Deus facilitará o itinerário de conversão (...)” (n. 58). E ainda, que a missão do diácono é de “comunicador da Palavra”, dando “testemunho de um ouvinte assíduo e convicto do Evangelho” (n. 59). E sendo um “servidor da Palavra, (...) anuncia a Palavra de Deus com a autoridade que nasce (...) da convivência com o Evangelho” (n. 59).

"Não chore"!

Duas procissões. Uma entrava na cidade. Outra, saia da mesma cidade. Isso me lembrou os exercícios espirituais de santo Inácio que fala dos movimentos do espírito na alma humana. A experiência espiritual vive o conflito entre o bom e o mau espírito. Cada um age conforme conforme os objetivos a serem atingidos.
Olhemos as duas procissões. Primeiro, a de Jesus. Segue em direção à cidade (Naim). Junto com ele, uma grande multidão e seus discípulos. Eles seguem a vida. À sua frente, está o autor da vida, Jesus. Aquele que é capaz de nos tirar do isolamento e nos inserir na vida social-religiosa da cidade.
Do outro lado, na porta da cidade, uma outra procissão levava a morte. Um cortejo fúnebre. Sem vida. Diz o evangelista que uma grande multidão acompanha o cortejo. Os dois tem em comum a multidão que acompanha as duas procissões. Eles se encontram. Vida e Morte. Aparentemente, a procissão da vida poderia parar para ver o cortejo de morte passar. É assim que, normalmente, fazemos no dia-a-dia. Paramos para ver o mal passar, sem nada fazer. Escondemo-nos. Alguns até afirmam, "eu não tenho nada a ver com isso".
Entretanto, Jesus nos mostra como deve agir o crente. Ele para. Diante da morte ele sente compaixão, isto é, sofre com aquele/aquela que está vivendo uma situação de morte, desespero, infelicidade. 
Diante do caixão e da mãe diz, "não chore"! Eu estou aqui. Eu sou o autor da vida. Não há mais morte. Ele toca no caixão. Os que o levavam, param!
Jesus olha o jovem. Contempla aquela face sem vida. Olha o corpo, mas enxerga a alma. Vê a mãe, sem aquele que poderia ser seu sustento, pois era viúva. Jesus se vê naquela cena. Somente ele e sua mãe (por isso vai deixar João como filho de Maria). 
Jesus não pergunta nada. Mira o jovem, e ordena; isso, ordena, "levanta-te!". Então, o morto senta-se e começa a falar. "E Jesus o entregou à sua mãe". 
Ao voltar a vida, o jovem começa a falar. Podemos perguntar, o que ele falou? O evangelista não nos conta. Entretanto, podemos imaginar, supor. Morto, voltou à vida. E todo aquele que volta à vida louva o Senhor, pois somente ele pode nos restituir à vida. Quantas pessoas hoje estão mortas? Vivem privadas da graça de Deus. Caminham no pecado. São soberbas, egoístas, falam mal dos outros. Situações de morte na nossa vida.
Após o morto falar, agradecer a Deus, Jesus o restitui à sua família, a sua mãe. Devolve-o ao convívio social, ao convívio da cidade. Aquele procissão de morte insere-se na procissão da vida. Aumenta a multidão dos que estavam seguindo Jesus. Voltam à cidade com a alegria da ressurreição.
Assim, queridos e queridas, Jesus quer restituir-nos à vida perdida pelo pecado. Não deixemos que o pecado tome conta de nossa vida. Nascemos para viver os frutos do espírito, 'amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, fé, mansidão e temperança' (Gal.5,22).
Aprendemos hoje que a vida vence a morte. Que depois de sermos restituído à vida, somos entregues  mãe, pois ela é aquela que nos orienta e guia. Ensina. Mostra a fé. E essa mãe vai além daquele que nos gerou no corpo. Essa mãe é a Igreja. Depois que Jesus nos resgata do pecado pelo sacramento do Perdão, e nos restitui a vida perdida, ele nos entrega aos cuidados da mãe Igreja.
Somente Deus é fonte de vida. Somente a Igreja é a genitora da vida e a que nos alimenta na fé.
Por isso, rezamos juntos: "Ó Deus, fonte de todo o bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

terça-feira, 31 de maio de 2016

“O Senhor, teu Deus, está no meio de ti”

Hoje festejamos a Visitação de Nossa Senhora. Dia em que Maria, mãe de Jesus, vai ao encontro de sua prima Isabel.
A liturgia nos propõe o evangelho de Lucas 1,39-56. Dentro desta perícope, encontra-se o já tão conhecido Magnificat.
O evangelista inicia o texto dizendo que “naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, a uma cidade da Judeia”. O autor coloca um adverbio de intensidade para falar de como ela foi ao encontro de Isabel, “apressadamente”.
O que justificaria aquela pressa? Não nos é apresentado pelo evangelista. A única informação que temos de Isabel é que era de idade avançada, e já se encontrava no sexto mês de gravidez.
Ir “apressadamente” significa que Maria tinha uma preocupação com Isabel. A idade avançada, com certeza, tornava a gravidez de risco. Aqui não olhamos para Maria, mas sim para Isabel. Vejam a discrição desta “senhora”. Estava no sexto mês de uma gestação. Não havia comunicado nada a ninguém. Não queria preocupar e alarmar os seus. Mas devemos lembrar que Zacarias, esposo de Isabel, havia sido punido com o silêncio por não ter crido no que o anjo lhe havia dito. Poderíamos supor que Isabel também tivesse o mesmo temor. Bem, o que importa é que Isabel não havia alardeado o fato de estar grávida.
Entretanto, a presença e chegada de Maria muda esse fato. A criança que Isabel carrega no ventre reconhece a criança que chega no ventre da Maria. Humanidade e divindade se encontram. Um reconhece o outro. João já está sendo formado para sua missão: preparar o caminho do senhor. Por outro lado, a fala de Maria, que traz o senhor, já provoca mudanças nas vidas das pessoas; “como posso merecer que a mãe do meu senhor me venha visitar”. Aqui já começa a se dar a passagem do velho para o novo. Do fim do primeiro testamento e início do segundo testamento. Isabel carrega no ventre o último dos profetas de israel. E Maria traz consigo o novo Adão. O novo homem. O Deus-vivo no meio de nós. Como diz o profeta Sofonias, “o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti” (Sf 3,15); e ainda mais à frente, “o Senhor, teu Deus, está no meio de ti” (Sf 3,17).
Mais uma vez, e pela boca de Isabel que vem o contra ponto da anunciação do anjo: “bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Zacarias havia questionado o anjo. E sendo sacerdote, deveria saber que o Espírito de Deus age quando e como quer.
A partir de então, vemos um dos mais belos textos da Sagrada Escritura. O Magnificat. O canto de Maria. A oração de louvor daquela que havia sido preservada do pecado original desde a sua concepção. E isso é dogma de fé. Somente uma pessoa, cheia do Espírito Santo poderia engrandecer o Senhor.
Mas este canto de louvor não é, em momento algum, desencarnado. Não está fora da realidade social de seu tempo.
Ela exulta de alegria, e tem o espírito alegre em Deus, o qual ela reconhece seu salvador. Mas a manifestação do poderio do Senhor se dará através da pequenez de uma mulher. Na sua “insignificância” social. Mas na magnanimidade do ser que lhe foi confiado para a remissão dos pecados.
A partir desta pequenez, ela apresenta o plano de salvação e a missão de seu Filho. Jesus a de mostrar o poder do braço de Deus; a de dispersar os orgulhosos; exaltar, elevar os humildes; derrubar dos tronos os poderosos; saciar a fome dos famintos; e aos ricos despedir sem nada. Tudo o que se havia dito pelos profetas, agora se a de cumprir em Jesus, e Maria anuncia esse programa de vida do seu Filho.
Hoje, ao festejarmos a visitação de Maria, lembremos que estamos no ano da Misericórdia. E que somos chamados a anunciar o Cristo fazendo o que ele nos mandou fazer. Anunciar o Evangelho a todas as nações. Batizando. E dando de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, visitar os doentes e encarcerados, acolher os peregrinos. Crer em Jesus, festejar Maria, é acolher Deus em nossas corações e na nossa vida.
Oremos: Deus eterno e omnipotente, que inspirastes à Virgem Santa Maria o desejo de visitar Santa Isabel, levando consigo o vosso Filho Unigênito, tornai-nos dóceis à inspiração do Espírito Santo, para podermos, com ela, cantar sempre as vossas maravilhas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

"Escuta os pedidos deste estrangeiro"

"Escuta os pedidos deste estrangeiro". Assim reza Salomão a Deus no Templo.
O Templo, para o judeu, é o lugar do encontro com Deus. A Tenda da Arca da Aliança e a Montanha foram substituídos pelo templo. Ali se dá o encontro do povo com Deus.
Salomão entende que a ação amorosa de Deus é universal. Não restrita a um povo. Todos os que reconhecem a grandiosidade do Deus de Israel e que se dirigem ao Templo para, em oração, fazerem pedidos a Deus, que sejam escutados em suas súplicas. Não mais somente para os israelenses, mas para todos. Deus é universal. Por isso, sua Igreja é Católica. Deus vem ao encontro de todos, não importa de onde são as pessoas. Não importam se fazem parte do "povo eleito". Desde que reconheçam o poder de Deus, devem ser ouvidos pelo Senhor, eis o pedido de Salomão.
No evangelho, vemos a continuidade desta leitura. Neste caso, a intercessão será feita pelos anciãos dos judeus. Homens respeitáveis dentro da comunidade judaica. O oficial romano reconhece que Jesus é Deus. Pede que os anciãos peçam a Jesus para salvar seu servo. Está é uma oração. Uma oração que pede ajuda para salvar alguém. Vejam, Jesus é Deus; e ao mesmo tempo, Templo. O oficial romano pede que o ajudem. Não tem coragem de ir até Jesus. Ou não se acha digno de tal feito. Não é judeu. E vê Jesus como um mestre, um mestre espiritual. 
O que Salomão pedia a Deus, Jesus realiza. Um estrangeiro pede ajuda ao próprio Deus. E Deus ouve. E vai ao encontro. Ir ao encontro, essa sempre é a atitude de nosso Deus. Vem nos resgatar. 
O oficial não se sente digno de que Jesus entre em sua casa. Ele tem pessoas que estão sob as suas ordens. É um comandante. Mas também, é um comandado. Está sujeito as leis e ordens de Roma. Mas tem um bom coração. Temente da Deus (veja a primeira leitura). Da mesma forma que ele manda e o obedecem, ele reconhece que Jesus pode dar ordens à distâncias, e o que ele desejar acontecerá, "ordena com a tua palavra e o meu servo ficará curado". Que fé! Que confiança! Não precisa a presença física. Basta uma palavra, tal como na criação. Deus disse e se fez. E Deus viu que era bom. A palavra de Jesus recria. Restabelece a vida. Cura. Salva. Liberta.
Assim, neste 9º domingo do tempo comum, somos chamados a refletir sobre a universalidade da salvação de Deus, e a humildade de quem reconhece que mesmo sendo uma pessoa importante, depende de Deus, de Jesus para atender aquilo que ele não pode fazer.
Oremos: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

"Jesus, Filho de Davi, tem Misericórdia de mim"

Surpreendido pelo fato de um estupro coletivo acontecido na cidade Olímpica do Rio de Janeiro, numa comunidade pobre. Com uma adolescente de 16 anos, logo um dia após a celebração da Solenidade de Corpus Christi, não poderia deixar passar em branco, sem uma palavra enquanto diácono da Igreja Católica.
Ao celebrarmos Corpus Christi refletimos sobre a Eucaristia, fonte de vida eterna. Entretanto, trago à nossa memória como Jesus se relacionou com o corpo de todos aqueles com os quais ele encontrou em sua vida.
Começo falando de sua própria mãe. Jesus foi gerado num ventre que fora purificado já no nascimento da própria Maria. Jesus teve uma profunda relação com o primo, João Batista, mesmo ainda no ventre materno.
Jesus sempre recolocou na sociedade de seu tempo os doentes. Corpos colocados à margem, leprosos, cegos, coxos, mortos, doentes. Todas as curas de Jesus tinham como objetivo ressocializar os excluídos. E assim o fez. Para ele, não havia dia e hora. Não havia lei que o impedisse de fazer o bem.
Ao celebrarmos Corpus Christi, adoramos o corpo glorioso do Senhor Jesus. Mas antes de chegar a essa glória, esse corpo foi dilacerado. Torturado. Machucado. "Estuprado". Neste momento, Deus, encarnado, assume todas as nossas dores. Nossas mazelas. Nossas tristezas.
Este corpo, que foi violentado pelos seus algozes, agora foi glorificado pela ressurreição.
Ao professarmos a nossa fé, dizemos que Jesus desceu a mansão dos mortos. Solidarizou-se com aqueles que viviam esperando o dia da ressurreição. Hoje, existem mutias pessoas que passam por situações de morte. São colocados à margem da sociedade porque não possuem bens, são desprovidos de tudo. Tornam-se "resíduos, sobras" (Papa Francisco. Alegria do Evangelho n.53). E ainda acrescenta o Papa Francisco. "enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre vários povos, será impossível desarraigar a violência" (Alegria do Evangelho n. 59).
Diante desse crime hediondo, nós cristãos católicos nos indignamos. Mas seguimos aquilo que no disse o próprio Jesus, "amai os vossos inimigos"; e "orai pelos que vos perseguem".
Assim, hoje pedimos ao Senhor que tanto nos amou e nos ama, "pela sua dolorosa paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro". Amém!

domingo, 22 de maio de 2016

Solenidade da Santíssima Trindade

Ao celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, contemplamos o mistério divino; em um único Deus, três pessoas distintas. Uma única essência; um mesmo objetivo.
Conta o anedotário santoral que Agostinho vinha caminhando a beira do mar, pensava em como entender o mistério da Santíssima Trindade. Quando se deparou com um menino que havia feito um buraquinho na areia. E ia até a praia, pegava um pouco de água, e jogava no buraquinho. Agostinho aproximou-se dele e perguntou o que ele fazia. Ouviu a seguinte resposta: “Vou colocar toda água do mar aqui dentro”. O santo riu, e disse: “Isso é impossível”. Ao que respondeu a criança, “é mais fácil eu colocar toda água do mar aqui dentro, do que você entender o mistério da Santíssima Trindade”. E sumiu diante dos olhos dele.
Esta história bastaria. Mas, Mistério não se explica. Experimenta-se.
Entretanto, ao investigar a Sagrada Escritura, nos deparamos com vários momentos onde a Trindade se revela a nós.
Iniciamos com o Gênesis. “Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo a nossa semelhança” (Gn 1,26). Vendo o processo de criação do mundo, descobrimos que toda a criação é ação direta de Deus Pai. Ao se formar o homem, o Pai quis dar a configuração do Filho, e o ânimo do Espirito. Por isso, “façamos”.
Em Mateus (3,16-17) encontramos a cena do Batismo de Jesus. Diz: “Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água e o céu se abriu. E ele viu o Espírito de Deus descer, como uma pomba, e vir sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho amado; nele está o meu agrado”. A Trindade revela-se no Batismo de Jesus. A Trindade revela-se no nosso Batismo. E em todos os sacramentos. Na consagração das espécies eucarísticas, o sacerdote diz: “Ó Deus (...) santificai pelo Espírito Santo as oferendas que vos apresentamos para serem consagradas, a fim de que se tornem o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, que nos mandou celebrar esse mistério”. Pai, Filho e Espírito Santo estão presentes neste momento. Por isso nosso gesto de adoração de joelhos.
Em outro momento, Jesus afirma, “as obras que faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim” (Jo. 10,25c). E mais adiante, “Eu e o Pai somos um” (Jo. 10,30).
Jesus afirmou a Felipe: “Felipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai?’ Não acreditas que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim....”. (Jo 14,9-11b).
O evangelista Lucas narra o seguinte episódio. Jesus estava na sinagoga, lhe deram o livro. Ele desenrolou e leu a seguinte passagem: “O Espirito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu, para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos, e aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano aceito da parte do Senhor” (Lc. 4, 18-19). E acrescentou, “hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lc. 14,21).
E por último, deixou a continuidade de sua missão com os apóstolos e discípulos, e para nós hoje, “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado” (Mt. 28,19-20a).
Mandou que ensinássemos a observar tudo o que nos tinha ordenado. Acima vimos uma parte. Deixou-nos apontado o caminho para entrar no Reino de Deus: “Vinde, benditos do meu Pai. Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu, e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me. (...) Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes”! (Mt. 25,34-36.49b).
Assim, serão bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Concluamos juntos, de pé, dizendo: “PAI SANTO, ENVIAI SOBRE NÓS O VOSSO ESPÍRITO SANTO, PARA QUE, POR ELE SANTIFICADOS, SEJAMOS EFETIVAMENTE CAPAZES DE VOS AMAR E NOS AMARMOS COMO IRMÃOS. POR CRISTO, NOSSO SENHOR. AMÉM”!