"Toda escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra". (II Tm 3,16-17). Acesse https://diaconiadapalavra.blogspot.com/. Comentários da liturgia diária.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta!
Quais são os frutos de que fala Jesus? Como posso saber se estou dando bons frutos?
O próprio Jesus nos dá a resposta: "Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei" (Jo. 15,3).
Queridos e queridas, o fruto do qual Jesus nos fala, está direcionado a nossa vivência. São as chamadas obras de Misericórdia. Viver para o outro, para os pecadores, para os sofredores, esses são os frutos. Frutos espirituais e frutos materiais (corporais).
Vejamos, a própria palavra nos dá essa dica. Em Mateus 25,31ss, Jesus nos pede que alimentemos os famintos, que demos de beber aos sedentos, que vistamos os nus, visitemos os detentos e doentes, e acolhamos os peregrinos. Estes são frutos produzidos pela Palavra de Deus. Entretanto, somente aqueles que deixam o Espírito Santo agir em suas vidas pessoais, e vivem os frutos do espírito, a saber, "amor, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gal, 5,22), dão os frutos materiais, ou corporais, necessários para a nossa pertença à videira.
No dia de hoje, deixemos que os frutos divinos, ou as obras de misericórdia espirituais e corporais façam parte de nossa vida cotidiana. Essa é a medida com a qual seremos medidos.
Oremos: "Ó Deus, que amais e restituís a incoerência, orientai para vós os nossos corações, para que jamais se fastem da luz da verdade os que tirastes das trevas da desgraça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!"
domingo, 20 de março de 2016
“Dai a César o que é de Cesar; e a Deus o que é de Deus”
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Não praticar a vossa justiça diante dos homens (Mt 6,1)
Hoje iniciamos o período litúrgico da Quaresma. Quarenta dias de preparação para a Páscoa. É o momento de revisão de vida, de conversão, de retiro pessoal e comunitário. Oração, Jejum e Esmola são as palavras chave desse período. A cada uma delas, corresponde uma realidade espiritual. E essa realidade, por ser espiritual, é pessoal e tem uma implicação social.
No livro Retiro Quaresmal 2016 - Exercícios Espirituais na vida cotidiana, do Centro de Espiritualidade Inaciana dos Jesuítas (Edições Loyola), lemos que estes "gestos (oração, jejum e esmola) nos humanizam e tornam a vida mais leve e com sentido". Muitas pessoas buscam um sentido para a vida. Apresentam-se com doenças do isolamento social: síndrome do pânico, esquizofrenia, egoísmo, medos. E ainda mais, diz que "a vida é um abrir-se aos demais (esmola), um mergulhar no mistério de Deus (oração) e, ao mesmo tempo, ser capaz de ordenar e dirigir a própria existência (jejum)". E conclui afirmando que "isso implica deixar-se envolver pela graça e permitir que o amor circule em cada um e no mundo, gerando vida em abundância".
A oração torna o coração mais docil a vontade de Deus. "Coloca-nos em sintonia com Deus, para entendermos o que é melhor para nosso verdadeiro bem". É deixar que 'Deus revele sua paternidade e maternidade em cada um de nós.
"O jejum nos humaniza". "Nos torna mais sensíveis sensíveis e solidários". Jejuar é sair do próprio amor, do próprio querer, do próprio interesse. É renunciar ao "EU" " em favor de de um mundo diferente.
"A esmola não se reduz a um gesto de ordem apenas material: ele manifesta um ato que indica o fazer-se companheiro de viagem junto a quantos se encontram em dificuldades".
Viva a graça desse período quaresmal.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Sou o que sou, pela graça de Deus (1Cor. 15,10)
"Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa". Essa é a frase dita a Isaías pelo Serafim ao tocar seus lábios com a brasa tirada do altar.
"É pela graça de Deus que eu sou o que sou". Afirmou Paulo a comunidade de Coríntio.
Isaías teve uma visão do Senhor. Na tradição antiga da Sagrada Escritura, quem visse o Senhor morreria. Ao perceber a realidade que o cercava, o profeta reconhece a sua pequenez e a impureza que toma conta de seus lábios, o pecado. Ao se reconhecer pecador, um dos Serafins que serviam ao Senhor, voa até seu encontro e o purifica com uma brasa tirada do altar. Ao ser tocada, toda a culpa desapareceu. O Senhor precisava dele para anunciar a Palavra.
Pela graça de Deus, Isaías partiu em missão. E esta foi conferida, muito tempo depois, ao apóstolo Paulo. De perseguidor, a testemunha. O Senhor tocará Paulo também. A graça de Deus contagiou o apóstolo. De perseguidor passou a anunciador da Palavra de Deus. Colocou-se à serviço. Compreendeu o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Agora é testemunha como os primeiros Apóstolos e os mais de quinhentos para os quais Jesus apareceu.
As experiências da vida passam a ter sentido quando estamos com Jesus. quando obedecemos suas ordens. Quanto nos colocamos, na gratuidade, para fazer o que ele nos pede.
Pedro e seus companheiros haviam pescado a noite toda. Não conseguiram pegar um peixe se quer. Ao chegarem a praia, viram Jesus. Este alojou-se numa das barcas. Começou a pregar para a multidão. O que dizia ele? Não sabemos. Podemos supor muitas coisas. Falava sobre a confiança em Deus? Falava de sua missão? Falava de que Deus faz nascer onde supostamente não haveria condições para tal?
O que sabemos é que ao terminar sua fala, depois que os pescadores já haviam guardado as redes, Jesus disse, "avança para águas mais profundas", ou seja, volte ao trabalho. Vamos para alto mar. E mais do que isso, "lançai vossas redes para a pesca". Jesus convoca Simão a fazer a mesma coisa que havia feito a noite toda. Qual a grande diferença agora? Esse retorno ao mar se fará após a pregação de Jesus. Mesmo assim, Simão age com desconfiança, "trabalhamos a noite inteira e nada pescamos". Nosso trabalho foi em vão. Hoje "o mar não estava para peixe", como diz o ditador popular. Mas Simão age como todo aquele que crê. "Em atenção à tua palavra, vou lançar as redes". Em atenção a tudo o que acabamos de ouvir. Em atenção àquilo que Deus Pai pode operar em nossa vida, eu obedeço.
Então, dá-se o milagre. O extraordinário. E Pedro, e os seus companheiros, tomam consciência que estão diante do próprio Deus. Atiram-se aos pés de Jesus. Prostram-se. Reconhecem que são pecadores.
Queridas e queridos, hoje o Senhor nos chama a sermos anunciadores de sua Palavra nos ambientes me que vivemos. Alguns se sentem indignos dessa missão. Acham-se pecadores. Digo três coisas. Primeira, a graça de Deus agem em nós. Somos o que somos pela graça de Deus. Repitamos com Paulo, "É pela graça de Deus que sou o que sou". Segundo, a brasa que purificou a boca do profeta Isaías, vindo do altar, hoje nos purifica também. A hóstia que comungamos é essa brasa. Ela queima todos os nossos pecados. Purifica o nosso coração. Nos prepara para a missão. "Estou aqui! Envia-me!"
Portanto, "Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens". De hoje em diante, tu usarás todo o teu conhecimento, toda a tua vontade, todo o teu entendimento, toda a tua a liberdade, tudo o que tens para seres "pescador" de homens. Anunciador da Palavra. Dispensador da graça de Deus.
A graça não pode ser estéril. Ela deve dar frutos.
Assim, oramos, "velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção". Amém!